segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Psicologia do caráter

Não se mede o caráter de uma pessoa, pois os parâmetros passíveis de constatação só podem ser feitos pelo próprio indivíduo. Há pessoas bom-caráter e mau-caráter na sociedade. Eles são políticos, são trabalhadores, são médicos, pedreiros, moram nos bairros nobres, vivem na periferia, são educados, são grosseiros, são de família, são diretores, são serventes, são donos de empresas e são empregados, portanto estão em toda parte. Será possível identificar aqueles que apresentam sinais exteriores de mau-caratismo, já que, presumivelmente, todos são de bom-caráter? Alguns traços de comportamento são denunciadores daqueles que ainda não mudaram de mau-caráter para bom-caráter. Em geral, eles não tratam bem os animais e têm dificuldade em lidar com crianças, não cuidam bem da coisa pública nem reagem bem quando são contrariados por autoridades, bem como são preconceituosos quando lidam com minorias. Mas, um traço característico do mau-caráter é seu desejo de obter o que não lhe pertence, principalmente em ter exclusivamente para si o que é de todos.
Diferentemente do que se pensa, é possível mudar o caráter, mesmo quando o indivíduo apresenta o Transtorno da Personalidade Dissocial. Os que têm falhas de caráter, os marginais e aqueles que são manifestamente doentes por sublevar o direito do outro em favor de si mesmo, podem mudar graças a Educação. A base de sustentação da Pedagogia é que o ser humano pode mudar para melhor, quando submetido a processos educativos eficientes.
Alguns de nossos representantes, tachados de ladrões por causa da corrupção, podem ter certeza de que há solução para seu problema de caráter. Porém, o remédio não deve se restringir a eles, mas também ao sistema e aos cidadãos de bom-caráter. Ao primeiro, o remédio é profundo, pois há inversão de valores e existe uma filosofia dominante do egoísmo e do orgulho do querer levar vantagem sempre; ao segundo, o remédio é não se omitirem, pois contribuem para o predomínio do primeiro.

Artigo publicado no Jornal ATarde do dia 21.10.2015.

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