segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Vaidade

Sou uma pessoa vaidosa. Minha vaidade é estrutural, pois é antiga e atinge disposições internas que determinam meu modo de viver. Mesmo considerando que minha imagem física não é fora dos padrões de normalidade, minha vaidade não se refere às características estéticas de meu corpo, nem tampouco diz respeitos as vestes de marca ou adereços que uso. Muito embora considere que tenho razoável conjunto de conhecimentos intelectuais, fundamentados na cultura que acumulei pelos estudos e boas leituras que realizei, ainda não é por esta razão que sou vaidoso.

Muito menos se trata de minha capacidade de falar em público, pelas palestras que proferi, pois em algumas vezes vejo que não são tão boas como gostaria. Não tenho vaidade pelos bens materiais que possuo, pois sei que sou apenas administrador, já que um dia a morte vai me retirá-los por absoluta falta de posterior uso. Tampouco se deve às condições profissionais de meu trabalho e aos seus bons resultados, que me conferem relativo reconhecimento público, pois este é fruto de trabalho intenso e dedicação constante.

Certamente o bem que fiz e as boas obras que realizei são importantes, mesmo que menos do que poderia e gostaria, mas ainda não é por esse motivo que me envaideço, pois considero obrigação no exercício da cidadania. Minha vaidade não é pela família que construí nem pelos filhos que criei, mesmo vendo o quanto são amorosos e gratos a mim, pois quem cuida de seu ninho tem o conforto futuro assegurado. Considero que o lar é o melhor lugar onde se deve viver, portanto, o primeiro em que devemos aplicar tudo quanto traz harmonia e felicidade.

Mesmo tendo muitas razões para ser vaidoso, que trariam orgulho a qualquer pessoa, considero, no entanto, que estas conquistas fazem parte dos objetivos imediatos de toda pessoa minimamente adulta. Minha vaidade vem da alma, de minhas entranhas que gritam com uma disposição enorme de viver e realizar. Condição que me traz um estado permanente de prontidão para atuar na vida em favor do bem-estar pessoal e coletivo. Esta disposição compara-se a uma perene cachoeira que faz jorrar a água límpida que lhe dá vida em abundância.

A minha é mais do que a vaidade comum, pois compreende uma certeza interna de que é possível estar no mundo sempre intervindo em sua organização para que se torne cada vez melhor e mais justo.

Minha vaidade vai na direção da certeza de que, além de cuidar de interesses próprios, devo, concomitantemente, exercer a cidadania plena a serviço da sociedade da qual faço parte e de onde retirei tudo quanto foi útil para me tornar quem hoje sou, cabendo-me devolver na forma de valores éticos, bem como em ações que a tornem melhor.

Pretendo manter minha vaidade até que alcance os objetivos precípuos de sua existência em minha natureza interior.

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